O vínculo familiar é algo, que deve ser mantido de forma saudável, mas muitos indivíduos acabam sobrecarregados diante de certas realidades, apresentadas por seus familiares.
Amar deveria ser uma via de mão dupla, mas no amor é mais feliz, quem dá do que quem recebe, sendo perfeitamente compreensível ver o amor também como um rio, que corre em uma única direção.
Neste caso, a justiça ou injustiça depende mais do ângulo que cada individuo enxerga uma determinada situação, do que do fato em si.
"Afinal a beleza está nos olhos de quem vê."
A família é nosso primeiro meio
social, é onde construímos e nutrimos nossas primeiras relações e também onde
iniciamos nosso desenvolvimento do Eu. Os vínculos costumam se desenvolver de
forma intensa, por vezes nos tornando cuidadores e defensores de nossa família.
Acontece que muitas vezes esses laços
se constituem de forma a não estabelecer limites a essas relações, tornando-as
disfuncionais.
Família
disfuncional? O que é?
“Uma família disfuncional é aquela
que responde as exigências internas e externas de mudança, padronizando seu
funcionamento. Relaciona-se sempre da mesma maneira, de forma rígida não
permitindo possibilidades de alternativa. Podemos dizer que ocorre um bloqueio
no processo de comunicação familiar”. Fonte: Boa Saúde
Em muitos casos um familiar
responsabiliza-se por resoluções de problemas e conflitos que não deveriam ser
de sua preocupação. Veja alguns que estão recentes em minha mente.
1. Filho que assumiu a posição de ‘chefe
da casa’ após separação conturbada dos pais. Além de cuidar de si e de suas
questões ‘adolescentes’, o filho sente-se na obrigação de cuidar da mãe e
educar o irmão mais novo;
2. Filho de pais que vivem em meio a
separações e ameaças de divórcio. O filho vira mecanismo de
reconciliação/separação do casal, sendo peça fundamental para que um ciclo
briga-separa-volta se mantenha a todo vapor;
3. Filha mais velha e adulta sente-se
responsável por dar suporte a sua mãe (que criou a filha parte da infância
sozinha), seja financeira ou emocionalmente. Tornando-se refém dos problemas da
mãe, que são normalmente resolvidos pela filha ou não resolvidos para se manter
esse tipo de relação;
4. Irmã que sente-se responsável por
cuidar dos irmãos e já na fase adulta continua a resolver os conflitos e arcar
com despesas financeiras dos irmãos;
5. Mãe que, apesar dos filhos já serem
adultos e estarem casados, sente-se responsável por conduzir a vida dos filhos
e assumir despesas e responsabilidades deles;
Ao expor os exemplos acima não me
refiro a situações isoladas ou casos específicos. Me refiro a ciclos
repetitivos que adoecem as relações e sobrepõem responsabilidades individuais,
transferindo-as ao outro.
Em casos como os já citados todos têm
prejuízos em suas vidas. Uma pessoa sobrecarrega-se, outra não
amadurece, mantendo uma relação imatura, sem espaço para desenvolvimento
com intuito de melhora.
Para alguns pode ser visto como prova
de amor, mas não. Amor baseia-se em troca, respeito mútuo e limites. Estipular limites sim é uma
prova de amor, amor ao outro e a si mesmo.
Cortando
o cordão umbilical
Normalmente quem se encontra neste
tipo de situação enfrenta dificuldade em romper com o ciclo vicioso que
retroalimenta, no entanto, é extremamente necessário que o indivíduo entenda o
papel que vêm exercendo e o que o motiva a manter-se nessa posição (normalmente
há algum ganho ou enrijecimento por um ganho do passado). A consciência do funcionamento
familiar já é de grande valia já que muitas pessoas vivenciam essas situações
sem nem ao menos perceber que algo está disfuncional, mesmo em casos em que
haja sofrimento manifesto.
Em alguns casos uma conversa com
alguém fora da família, como um amigo, poderá alertar e alterar o status da
família. Outras vezes o processo terapêutico se faz necessário.
O processo terapêutico individual por
si só já provocará desdobramentos no lidar deste individuo com seus familiares.
Agora se o processo terapêutico for familiar, ou seja, todos os membros da
família participarem, o processo poderá ser muito mais rápido, pois os
conflitos referentes ao envolvimento e mecanismo familiar serão resolvidos por
todos juntos, além de propiciar que todos entendam seu papel no funcionamento
da família, possibilitando, assim, a escolha de permanecer retroalimentando os
laços disfuncionais ou reescrevendo novas formas de organização e arranjo
familiar.Fonte: Pensador Anônimo